Sabadão, dia de programinha com a irmã, tipo: fazer as unhas, jantar, fazer comprinhas, fechando com um bom filme. Mas, tinha que ser um filme para um sábado à noite. Nada para gastar o pacote de Kleenex e sair com o nariz vermelho parecendo uma renite atacada daquelas. No entanto, o filme Late Bloomers - O amor não tem fim, apesar de te fazer dar boas risadas, emociona. E muito. Filme de Julie Gavras, o público recebe o presente da belíssima atuação de Isabella Rosselline (redundância: belíssima e Isabella Rosselline na mesma frase) e William Hurt. O tema central? O casal passando pela chamada crise da meia-idade. Um querendo antecipá-la, acelerando o processo, como se asssim pudesse aplacar a angústia sentida. O outro regredindo no tempo, tentado se distanciar do impossível. Porque o tempo é inexorável. E cruel. Lembrei dos meus avós e pensei profundamente nos meus pais. Sobre o árduo processo do envelhecimento, que segundo palavras da minha mãe, não tem nada de poético. Dói, cansa, demora, não se lembra, se esquece. Como chegar lá, buscando amenizar o desgaste natural do corpo e das emoções? Porque cansa. E (se Deus quiser) todos chegaremos lá.
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sábado, 19 de novembro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
sem querer levantar bandeira
Detesto radicalismo. Gosto sim da tentativa da busca (árdua) por um equilíbrio. Em todos os aspectos da vida. Principalmente na alimentação. Carrego em mim uma verve natureba, graças a herança do meu avô materno. Vovô Samuca para os íntimos. Ele namorou com a macrobiótica nos anos 70 e depois seguiu uma linha mais naturista. Era adepto da bioenergética, yoga e meditação. Quando essas práticas ainda estavam longe de se tornar hype, it ou cool. Nos meus treze anos decidi parar de comer carne, por questões filosóficas (ok, pena dos bichinhos). De certa forma, sob sua influência. E foram indas e vindas no cardápio, incluindo e excluindo alguns tipos de proteína. Há uns sete anos consumo apenas carnes brancas, motivada por questões que transcendem a filosofia (apesar de continuar com pena dos bichos). Passei a ter intolerância a carne vermelha. Isso não quer dizer que eu coma apenas comida orgânica, vegan, ou algo por aí. Mas sinto sim uma felicidade profunda quando adentro um restaurante natural/vegetariano. Emoção compartilhada com a irmã do meio, que há 23 anos, só come peixe. Não sei se é o colorido do prato, ou o fato de saber que aqueles ingredientes todos vêm da natureza (tá, papo cabeça). Ou se no íntimo, é onde estabeleço um contato com vovô e com a linda herança que ele me deixou.
Fotos do Refeitório Orgânico
Rua Dezenove de Fevereiro, 120 - Botafogo
Marcadores:
alimentação,
herança,
homenagem,
sabedoria
sábado, 24 de setembro de 2011
as palavras também valem mais do que mil imagens
"Escreva minha filha, escreva. Quando estiver entediada, nostálgica, desocupada, neutra, escreva. Escreva mesmo bobagens, palavras soltas, experimente fazer versos, artigos, pensamentos soltos (...). Não tenha preocupação de fazer obras-primas, que de há muito eu já perdi, se (é) que algum dia a tive, mas só e simplesmente escrever, se exprimir, desenvolver um movimento interior que encontra em si próprio sua justificação."
Trecho de uma das cartas de Carlos Drummond de Andrade à sua filha Maria Julieta.
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