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sábado, 31 de dezembro de 2011

Peru de fora se manifesta

É verdade. Esse ano não tem a banda do Leme me acordando e me lembrando que amanhã, vai ser tudo diferente. Não tem cheiro de maresia, flores para Iemanja, nem amigo oculto entre as primas. Muito menos um abraço apertado nos avós depois da meia-noite. A sobremesa era sempre no ano seguinte, e a piada nunca cansava. Os amigos que vinham de fora, tornando a festa um grande encontro do Mercosul, como diria meu pai. O peru que o vovô mandava assar na padaria, de tão grande que era, virou um peru malandro no forno da minha mãe, tentando correr dele a todo custo (foto abaixo para provar). Nem o Meridien existe mais, para nos brindar com a sua cascata de prata. Mas hoje.. Hoje tem crianças correndo pela casa de novo, renovando as energias (e bota energia nisso), tornando a família maior e mais alegre de novo. Afinal, nós éramos as crianças correndo pela casa, de pés descalços, deixando todos de cabelo em pé (e bota cabelo em pé nisso). Tem árvore de natal na casa nova, pronta para receber a família e os amigos amados. Tem irmãs e primas. E um amor do tamanho do Universo (sabendo que este é infinito). Salto alto, arroz basmati, pop cake de panetone. E claro, as calcinhas brancas dadas pela mamy. E muito para agradecer. Sempre.


Peru malandro

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

"junte os seus trapos e solte forte essa voz.."

Ah o maldito tabu da morte. Ou seria da maldita morte o tabu? Como é difícil falar e lembrar daqueles que se foram e deixaram um buraco enorme no nosso peito. É como se tivessem levado com eles um pedação da gente. Porque emocionalmente é isso mesmo o que acontece. E como é difícil fazer o contrário e que - teoricamente - seria o mais saudável psiquicamente: manter um pedaço de quem foi dentro da gente. Uma fala, um abraço, uma cena. Uma vida inteira. Porque hoje estou emocionada, compartilhando uma dor que agora também é minha. Torcendo para que aqueles que eu amo, sejam sempre confortados. Que eles possam gritar ou chorar baixinho, se assim o quiserem. Porque o luto é único e de cada um. E a gente tem que se lembrar disso também.




segunda-feira, 14 de novembro de 2011

you've got mail!

Eu estava escrevendo um post sobre o último filme que assisti (fantástico por sinal, mas fica para depois), quando toca o interfone: "é entrega para a senhora". Pois é. No carnaval desse ano, minha irmã (a do meio) chegou de Recife com uma sandália tipo espadrille, lindademorrer. Ok, segundo alguns entendidos (?) é a peça chave do verão. Não sei se é do que passou ou do que chega por aí. Fato é que amei, mas como era de longe, deixei para lá. Eis que há um mês, a mesma irmã me envia um torpedo, informando que a tal sandália estava sendo vendida por um desses sites de compra coletiva, com 50% de desconto. Isso não acontece todo dia, não é? Saquei o cartão de crédito e rumo ao computador! E hoje, ela está nos meus pés. Uma alegria só. Mas o que eu queria falar mesmo, era dessa expectativa, da  sensação da espera e finalmente, a chegada de algo pelo correio. A gente só conhece as contas para pagar e/ou no máximo aquele cartãozinho daquela loja com 5% de desconto à vista no dia do seu aniversário. Ou as panelas, Melissa e até televisão, que compramos online. Agora a sensação de esperar por uma carta daquela prima que foi morar longe, ou  o cartão postal dos avós que foram fazer um passeio de navio até a Terra do Fogo, ou quem sabe as amigas que foram para o intercâmbio. Disso ninguém se lembra. Eu trabalho numa colônia de férias que tenta manter, heroicamente, o contato com os familiares através de carta. É isso mesmo. As crianças ficam quase duas semanas longe dos seus pais e a saudade é confortada através de cartas. Claro que numa emergência, é feito um contato telefônico. Um grande desafio para nós que vivemos conectados 48h por dia. Inclusive nossas crianças. Infelizmente. Um grande exercício de espera e como prêmio, aquele papel escrito a mão, cheio de emoção e saudade, contando o que foi feito naquela semana. Já perceberam como sua caligrafia já não é mais a mesma, talvez pela falta de uso? Me lembro na minha época que alguns pais enviavam recortes de revista, resumos das novelas. As cartas que minha mãe escrevia vinham sempre muito coloridas e desenhadas, contando sobre as minhas irmãs e o  meu cachorro. Meu pai sempre falava do carnaval com notícias da Banda de Ipanema e do Simpatia. Guardo todas. Carta também é memória e registro da nossa história pessoal e porque não coletiva. Tente escrever uma, ou quem sabe, espere por uma.

unhas feitas especialmente para esse momento