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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

à espera



foto Debora Oigman



A idéia não é tornar o blog um espaço sobre a maternidade, tipo "o que esperar quando você está esperando", ou "10 coisas que nunca te contaram sobre a gravidez" e por aí vai. Mas 7 meses já se passaram e é impossível não deixar um registro aqui. Nesse espaço que cabe de um tudo e um todo.
A barriga vai crescendo, os movimentos vão ficando mais difíceis, seu corpo não pertence mais só a você. O desejo por um chope gelado, pela proibida comida japonesa ou por uma caipirinha no fim de tarde já nem dão mais pinta por aqui.
Uma experiência tão coletiva, visível a todos, que olham diferente, comentam, tocam e querem saber. Ao mesmo tempo tão única e pessoal. Nenhuma gravidez é igual a outra. Nem mesmo quando vivida pela mesma mãe. Nem os livros e revistas dão conta de cada pirueta que o bebê dá na barriga (não sei se ele de fato faz isso, mas a sensação é exatamente essa), de cada choro desmedido (meu, claro), cada celulite nova ou número de soutien três vezes maior. O medo de não sermos pais suficientemente bons (aiai, psi..), de reconhecer  suas necessidades. Os chutinhos em resposta à minha voz ou ao meu toque na barriga. Assim como o do pai. Cada presente ganho, cada sonho com suas mãozinhas. A gentileza dos estranhos na rua (sim, ainda existem alguns bons exemplares por aí). O brilho nos olhos dos avós a cada ultra, a ansiedade das tias, a expectativa dos amigos. Nenhuma literatura dá conta disso. Nem deve. É da ordem da vivência e essa é sempre difícil de ser compartilhada na sua completude.
Mas isso é só o começo de uma história que ainda vai dar muito o que falar. E escrever.
Seja bem-vindo meu pequeno. Te esperamos com o coração e a casa cheios de amor.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

you've got mail!

Eu estava escrevendo um post sobre o último filme que assisti (fantástico por sinal, mas fica para depois), quando toca o interfone: "é entrega para a senhora". Pois é. No carnaval desse ano, minha irmã (a do meio) chegou de Recife com uma sandália tipo espadrille, lindademorrer. Ok, segundo alguns entendidos (?) é a peça chave do verão. Não sei se é do que passou ou do que chega por aí. Fato é que amei, mas como era de longe, deixei para lá. Eis que há um mês, a mesma irmã me envia um torpedo, informando que a tal sandália estava sendo vendida por um desses sites de compra coletiva, com 50% de desconto. Isso não acontece todo dia, não é? Saquei o cartão de crédito e rumo ao computador! E hoje, ela está nos meus pés. Uma alegria só. Mas o que eu queria falar mesmo, era dessa expectativa, da  sensação da espera e finalmente, a chegada de algo pelo correio. A gente só conhece as contas para pagar e/ou no máximo aquele cartãozinho daquela loja com 5% de desconto à vista no dia do seu aniversário. Ou as panelas, Melissa e até televisão, que compramos online. Agora a sensação de esperar por uma carta daquela prima que foi morar longe, ou  o cartão postal dos avós que foram fazer um passeio de navio até a Terra do Fogo, ou quem sabe as amigas que foram para o intercâmbio. Disso ninguém se lembra. Eu trabalho numa colônia de férias que tenta manter, heroicamente, o contato com os familiares através de carta. É isso mesmo. As crianças ficam quase duas semanas longe dos seus pais e a saudade é confortada através de cartas. Claro que numa emergência, é feito um contato telefônico. Um grande desafio para nós que vivemos conectados 48h por dia. Inclusive nossas crianças. Infelizmente. Um grande exercício de espera e como prêmio, aquele papel escrito a mão, cheio de emoção e saudade, contando o que foi feito naquela semana. Já perceberam como sua caligrafia já não é mais a mesma, talvez pela falta de uso? Me lembro na minha época que alguns pais enviavam recortes de revista, resumos das novelas. As cartas que minha mãe escrevia vinham sempre muito coloridas e desenhadas, contando sobre as minhas irmãs e o  meu cachorro. Meu pai sempre falava do carnaval com notícias da Banda de Ipanema e do Simpatia. Guardo todas. Carta também é memória e registro da nossa história pessoal e porque não coletiva. Tente escrever uma, ou quem sabe, espere por uma.

unhas feitas especialmente para esse momento