Amanhã é dia de fechamento e abertura de ciclo. É dia de
envelhecer mais um pouquinho e claro, comer um bolinho. É dia de fazer 36 anos.
Caraca. 36. Engraçado que não rola uma crise do tipo, “to ficando velha”. É
mais um: o tempo ta passando e o que estou fazendo com ele. E o curioso é que
depois de ter filho, a experiência da passagem do tempo muda muito. Fica mais
rápido e mais forte a sensação de que de fato, o tempo não para. Já tive muita
clareza (ou não) do que queria fazer na vida, até já escrevi sobre isso aqui. Na época
da faculdade, após descobrir a existência da Psico-Oncologia (estudo e práticas
psicológicas que envolvem o cuidado com o paciente com câncer), meu sonho e
objetivo era trabalhar no INca. Parecia algo tão distante e tão impossível..
que eu consegui. Após um ano estudando lá, fui convidada a trabalhar num
contrato temporário bem precário. Mas quando se trata de sonho, a gente topa de
um tudo né. E o tempo passou, o contrato acabou e o sonho.. acordei. E descobri
que precisava de mais sonhos para buscar novos caminhos. E chegou o filho, o
sonho mais sonhado de todos. E que de tanto roubar meu sono, não me permitiu
sonhar muito nesse ano que passou. 36. Já plantei umas mudas, escrevi um
capítulo de um livro e tive um filho. Está na hora de alçar novos vôos.
domingo, 30 de março de 2014
quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
9 meses dentro, 9 meses fora
Meu pequeno,
Já escrevi muitos textos mentalmente nesses nove meses que
passaram. Não coloquei no papel, obviamente, por falta de tempo, cansaço, ou
simplesmente porque na hora de começar, as idéias fugiam.
Nunca pensei em sentir tamanho amor. Não sabia que isso
existia. Ao mesmo tempo não imaginava que choraria tanto. De emoção, de medo,
de dor, de alegria, de cansaço. Por causa da novela, da história triste no
jornal, do miquinho na árvore, daquela musica daquele cantor. Sim, muitas
lágrimas. Não sei se são os hormônios, ou o fato de perceber que colocar um ser
humano nesse mundo é algo tão lindo e ao mesmo tempo tão assustador. Uma vez
sua tia Gabi disse que depois de ter filho, você passa a ter mais medo do
mundo. E é verdade. Por mais controle que você quer ter das situações, não dá
para proteger de tudo. De um lado você se conecta com uma potência incrível,
afinal você gerou uma vida e pode cuidar e zelar por ela. Do outro, entra em
contato com uma fragilidade gigante. Nem sempre é possível dar conta.
Mas acima de tudo, tenho um sentimento de gratidão imenso
por poder vivenciar essa experiência.
E toda noite quando te coloco para dormir, me sento na
poltrona, te encho de beijo (mais um pouco) e rezo baixinho. Peço para que tenha
uma vida bacana, cercada de gente do bem. Que possa fazer boas escolhas, saúde
claro, e que acima de tudo seja feliz. Ao menos na maior parte do tempo.
Afinal, algumas dores e pesares são inevitáveis. E é isso o que nos torna
humanos. Amém. Às vezes choro um pouquinho (sim, sempre me emociono nessa
hora), dou mais um beijo e te coloco no berço. E digo: até amanhã (quase um
“pelamordedeus não acorde esta madrugada”). Amanhã é um novo dia e você vai nos
acordar em pé no berço, reclamando que ninguém está te escutando.
Obrigada por me ensinar que um mais um é igual a três!
Amor eterno,
Mamãe.
terça-feira, 8 de janeiro de 2013
à espera
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| foto Debora Oigman |
A idéia não é tornar o blog um espaço sobre a maternidade, tipo "o que esperar quando você está esperando", ou "10 coisas que nunca te contaram sobre a gravidez" e por aí vai. Mas 7 meses já se passaram e é impossível não deixar um registro aqui. Nesse espaço que cabe de um tudo e um todo.
A barriga vai crescendo, os movimentos vão ficando mais difíceis, seu corpo não pertence mais só a você. O desejo por um chope gelado, pela proibida comida japonesa ou por uma caipirinha no fim de tarde já nem dão mais pinta por aqui.
Uma experiência tão coletiva, visível a todos, que olham diferente, comentam, tocam e querem saber. Ao mesmo tempo tão única e pessoal. Nenhuma gravidez é igual a outra. Nem mesmo quando vivida pela mesma mãe. Nem os livros e revistas dão conta de cada pirueta que o bebê dá na barriga (não sei se ele de fato faz isso, mas a sensação é exatamente essa), de cada choro desmedido (meu, claro), cada celulite nova ou número de soutien três vezes maior. O medo de não sermos pais suficientemente bons (aiai, psi..), de reconhecer suas necessidades. Os chutinhos em resposta à minha voz ou ao meu toque na barriga. Assim como o do pai. Cada presente ganho, cada sonho com suas mãozinhas. A gentileza dos estranhos na rua (sim, ainda existem alguns bons exemplares por aí). O brilho nos olhos dos avós a cada ultra, a ansiedade das tias, a expectativa dos amigos. Nenhuma literatura dá conta disso. Nem deve. É da ordem da vivência e essa é sempre difícil de ser compartilhada na sua completude.
Mas isso é só o começo de uma história que ainda vai dar muito o que falar. E escrever.
Seja bem-vindo meu pequeno. Te esperamos com o coração e a casa cheios de amor.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Tudo por causa de um bife de panela
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| quem tem medo? |
Você tem razão. Tem muito tempo que não passo por aqui. Aliás, que não deixo nada escrito aqui. Fazem o que? Quase sete meses.. Mas como todo bom filho sempre volta, cá estou. E como diz o título do post, por causa de um bife de panela. Semana passada fui almoçar na casa da minha mãe e na mesa me esperava um linda e cheirosa carne com cenoura e batatas cozidas. Linda carne? Oi? Sim, nesses quase sete meses muitas coisas aconteceram. Depois de mais de dez anos voltei a comer carne por causa da gravidez. Gravidez?? Sim, o moleque chega para trazer mais alegria ao mundo em março!
Mas voltando ao assunto que me trouxe aqui, decidi que tinha que fazer a tal carne, que na verdade minha mãe chama de bife de panela. Para isso, teria que usar a panela de pressão. Ok, meu maior desafio da vida. Medo dela explodir na minha cara, quebrar o teto, o fogão e parar na casa do vizinho. Mas hoje criei coragem (afinal, isso se tornou coisa bem pequena frente as minhas próximas responsabilidades) e aprendi que com todo o cuidado e segurança, pode dar certo. E deu!! Palmas para mim!
Sei que cozinha não é para todos e nem acho que deve ser. Mas eu gosto. Nasci numa família onde a cozinha sempre foi o lugar escolhido para se passar as madrugadas jogando conversa fora, enquanto se esperava algo muito gostoso sair do forno. Ou do fogão. Sempre gostei de fazer doces, bolos e por aí vai. Comida de verdade (leia-se: arroz, feijão, carne) era um mito para mim, que eu venho desmistificando aos poucos. Agora, usar panela de pressão? É muita onda né não? Adoro a liberdade e autonomia que saber cozinhar te proporciona. Claro que isso exige tempo e paciência para lavar a louça depois. Mas ok, agora tenho esses dois quesitos, vou aproveitá-los enquanto é possível. E não era a panela de pressão que ía me impedir essa sensação de realização.
Bife de panela da mamãe
500g de bife de miolo de contra-filé
1 cebola
3 dentes de alho
2 cenouras
2 batatas
1/2 litro de água
1/2 tablete de caldo de carne
louro
sal e pimenta a gosto
Modo de preparo surpreendentemente simples:
Refoga os bifes na cebola, já temperados com sal e pimenta.
Coloca o alho depois, para não correr o risco de queimá-lo.
Adiciona a cenoura e as batatas.
1 folha de louro.
Adiciona a água com o caldo.
Fecha (bem) a panela. Quando começar a apitar, deixa cozinhar por uns 20 min. Depois, com (muito) cuidado, tirar TODO a pressão. Pode ajudar levantando a válvula com um garfo. Dá uma olhada e vê se ainda tem muito caldo. Se achar que sim, deixa cozinhar um pouco sem a tampa mesmo, para reduzir até onde preferir. Se não, manda ver com arroz e feijão e depois me conta a maravilha que ficou.
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| o bife quase se desmanchou! |
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Quando 15 minutos duram uma eternidade
Eu achava que era uma pessoa controlada, que era só fechar os olhos e respirar fundo que estava tudo bem. Ledo engano. Ressonância Magnética é para os fortes. Tentei uma vez. "Você está bem? Quer sair?" Sim, claro. Quero sair correndo, ver o sol, sentir a brisa do vento. Eu quero a minha mãe! Sim, porque nessas horas só a mãe mesmo. "É assim mesmo. Tá vendo ali o tubo? Ele é aberto no final. Qualquer coisa a gente está aqui fora, é só apertar o botãozinho". Começa tudo de novo. A pressão ainda no pé e o suor querendo escorrer. Fecho os olhos. Se não tivesse esse barulho todo, certamente a experiência seria (bem) menos angustiante. Por um momento achei que estava numa rave (há três dias), em seguida, num tiroteio. Digno daqueles do Turano na época da escola, ou do Morro dos Macacos, na época do Inca. "Tenta meditar, aproveita esse momento, pensa em coisas boas", sugere uma vozsinha dentro de mim. Afinal, são só (?) quinze minutos. Mas com essa trilha sonora fica difícil. Respiração! Claro, é isso que vai me salvar. Inspira profundamente, até o baixo ventre. Expira contando até dez.. E assim vai. É nesse movimento que eu me apego. Não posso pensar em mais nada, para não perder o foco. Quantos minutos já terá passado? Porque parece exagero, mas é uma experiência que parece que vai te levar a loucura. Penso nos que sofrem com a (falta de) saúde mental, ou outra patologia qualquer. Que sofrimento. O meu eu sei que vai passar. É só um cuidado com um problema de coluna antigo. De repente o barulho cessa e eu começo a ser puxada para fora. "Pode soltar". Eu segurava com força o tal botãozinho, meu bote salva-vidas. E saio aliviada, feliz, como se estivesse passeando pelas ruas de Paris. Em plena Buenos Aires. Centro do Rio.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
história com fim e puxada de orelha
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| Ruth - sem disfarce |
Pois é. Levei uma puxada de orelha da irmã do meio ontem. "Pô, achei que você ía escrever mais, contar sobre o livro e tals. Só escreveu isso?" Então tá, como irmã mais velha sempre tem razão e finalmente terminei a leitura, resolvi dar uma palinha. Alho e Safiras foi escrito por Ruth Reichl, que na época (meados dos anos 90) era crítica de gastronomia do New York Times. Não é pouca coisa né? Para elaborar suas críticas, precisava ir aos restaurantes da vez, diversas vezes. Porém, indo como Ruth, não haveria fila de espera, mesa ruim, mau atendimento, fio de cabelo na comida, ou massa cozida demais. Surge então uma tática para ir aos restaurantes sem ser reconhecida: criar personagens, se disfarçando com perucas e figurinos. E assim, poder ter a experiência de um reles mortal. O bacana disso é que na construção dos personagens, Ruth vai descobrindo diversas facetas da sua personalidade, que nem ela sabia que existia. Tão junguiano! Além de crítica, como boa escritora, segue contando os casos, nos brindando com receitas e dividindo um pouco sobre o delicioso e difícil universo gastronômico. Porque por mais divertida que pareça a idéia de comer praticamente todas as suas refeições em restaurantes incríveis (ou não), chega uma hora que você só quer chegar em casa para jantar com a sua família. Uma massinha com um bom parmesão ralado, ou uma sopa de legumes. Comfort food, acompanhada dos seus. E é nesse ponto que Ruth chega, deixando o Times para virar editora da revista Gourmet. Ops! Falei o final do livro. Mas ok, não é ficção e isso já aconteceu há uns quinze anos.
Boa leitura.
domingo, 20 de maio de 2012
história sem fim
quando estou amando um livro e este começa a se aproximar do fim.. vou lendo devagar, aumentando as pausas entre as leituras. tentando evitar o inevitável: a saudade que fico dos personagens.
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