Eu achava que era uma pessoa controlada, que era só fechar os olhos e respirar fundo que estava tudo bem. Ledo engano. Ressonância Magnética é para os fortes. Tentei uma vez. "Você está bem? Quer sair?" Sim, claro. Quero sair correndo, ver o sol, sentir a brisa do vento. Eu quero a minha mãe! Sim, porque nessas horas só a mãe mesmo. "É assim mesmo. Tá vendo ali o tubo? Ele é aberto no final. Qualquer coisa a gente está aqui fora, é só apertar o botãozinho". Começa tudo de novo. A pressão ainda no pé e o suor querendo escorrer. Fecho os olhos. Se não tivesse esse barulho todo, certamente a experiência seria (bem) menos angustiante. Por um momento achei que estava numa rave (há três dias), em seguida, num tiroteio. Digno daqueles do Turano na época da escola, ou do Morro dos Macacos, na época do Inca. "Tenta meditar, aproveita esse momento, pensa em coisas boas", sugere uma vozsinha dentro de mim. Afinal, são só (?) quinze minutos. Mas com essa trilha sonora fica difícil. Respiração! Claro, é isso que vai me salvar. Inspira profundamente, até o baixo ventre. Expira contando até dez.. E assim vai. É nesse movimento que eu me apego. Não posso pensar em mais nada, para não perder o foco. Quantos minutos já terá passado? Porque parece exagero, mas é uma experiência que parece que vai te levar a loucura. Penso nos que sofrem com a (falta de) saúde mental, ou outra patologia qualquer. Que sofrimento. O meu eu sei que vai passar. É só um cuidado com um problema de coluna antigo. De repente o barulho cessa e eu começo a ser puxada para fora. "Pode soltar". Eu segurava com força o tal botãozinho, meu bote salva-vidas. E saio aliviada, feliz, como se estivesse passeando pelas ruas de Paris. Em plena Buenos Aires. Centro do Rio.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
quarta-feira, 23 de maio de 2012
história com fim e puxada de orelha
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| Ruth - sem disfarce |
Pois é. Levei uma puxada de orelha da irmã do meio ontem. "Pô, achei que você ía escrever mais, contar sobre o livro e tals. Só escreveu isso?" Então tá, como irmã mais velha sempre tem razão e finalmente terminei a leitura, resolvi dar uma palinha. Alho e Safiras foi escrito por Ruth Reichl, que na época (meados dos anos 90) era crítica de gastronomia do New York Times. Não é pouca coisa né? Para elaborar suas críticas, precisava ir aos restaurantes da vez, diversas vezes. Porém, indo como Ruth, não haveria fila de espera, mesa ruim, mau atendimento, fio de cabelo na comida, ou massa cozida demais. Surge então uma tática para ir aos restaurantes sem ser reconhecida: criar personagens, se disfarçando com perucas e figurinos. E assim, poder ter a experiência de um reles mortal. O bacana disso é que na construção dos personagens, Ruth vai descobrindo diversas facetas da sua personalidade, que nem ela sabia que existia. Tão junguiano! Além de crítica, como boa escritora, segue contando os casos, nos brindando com receitas e dividindo um pouco sobre o delicioso e difícil universo gastronômico. Porque por mais divertida que pareça a idéia de comer praticamente todas as suas refeições em restaurantes incríveis (ou não), chega uma hora que você só quer chegar em casa para jantar com a sua família. Uma massinha com um bom parmesão ralado, ou uma sopa de legumes. Comfort food, acompanhada dos seus. E é nesse ponto que Ruth chega, deixando o Times para virar editora da revista Gourmet. Ops! Falei o final do livro. Mas ok, não é ficção e isso já aconteceu há uns quinze anos.
Boa leitura.
domingo, 20 de maio de 2012
história sem fim
quando estou amando um livro e este começa a se aproximar do fim.. vou lendo devagar, aumentando as pausas entre as leituras. tentando evitar o inevitável: a saudade que fico dos personagens.
terça-feira, 15 de maio de 2012
frio dá fome
Almoço de terça-feira, início da semana. Um frio danado. Eu tenho tempo e um monte de coisa na geladeira que tenho medo que estrague. O resultado? Um almoço delícia, colorido e rápido. Claro, parte dele já estava encaminhado. Mas nada complicado. Seguem as idéias:
Folhas, tomate e pepino em quadradinhos e cogumelos
Para completar, um bom vinho para brindar!
Mini guacamole com torradinhas e limão para temperar
Folhas, tomate e pepino em quadradinhos e cogumelos
Milho cozido com queijo ralado, pimenta calabresa e limão
Linguine ao sugo com espinafre
quinta-feira, 26 de abril de 2012
o que eu vou salvar?
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| fogo meramente ilustrativo |
Foi a primeira pergunta que eu me fiz, após meus vizinhos baterem na minha porta para avisar que um apartamento no sexto andar estava pegando fogo. Todos tinham que descer. Fogo, sexto andar, coração na boca, arrepio pelo corpo inteiro. Sozinha em casa. Queria chorar, mas não dava tempo. O que eu pego? Fecho as janelas? Apago as luzes? O celular foi a primeira coisa. Carteira. Sei lá! Olhei para o computador. Pensei no que tenho de valor. Valor? Sentimental, afetivo, porque de jóia mesmo, apenas a aliança. O resto a gente repõe. Desapego. Que difícil isso. Fecho as janelas e antes de apagar a última luz, paro por uns instantes. Olho para a minha sala e fico admirando. Tudo que nós temos, construímos. Estamos construindo. Será que é assim? De um segundo para o outro tudo muda e tudo o que você tem fica em risco. Mas é no sexto andar e pode ser que o bombeiro chegue à tempo. Por favor, Sr. Bombeiro chegue à tempo. Celular no bolso, carteira na mão e pano de prato. É, pano de prato. Eu estava lavando a louça quando bateram na minha porta e depois dos dois minutos que demorei para decidir as medidas que deveria tomar, o pano de prato ficou esquecido no meu ombro. Cheiro de fumaça forte na escada de emergência. Sim, não usar o elevador é a primeira coisa que aprendemos sobre incêndio. Incêndio. Essa palavra ainda soa estranho. Mães, pais e babás com crianças, pais e mães chegando do trabalho, outras crianças chegando da escola, cachorros no colo. E eu agradecendo meus vizinhos. Meus heróis. Fiquei do outro lado da rua olhando meu apartamento apagado. Esqueci a porta da varanda aberta. Rezo para o carinha lá de cima (aquele que mora aqui dentro). Os bombeiros chegam e sobem de elevador (eles perderam a primeira aula?). Fogo controlado. Meus nervos também. Tenho agora a companhia dos meus pais e minha irmã que me dão o colo que só eles (e ele) sabem me dar. Foi um curto circuito e dentro de uns minutos os moradores retornam para o seu lar. O meu lar. Suspiro de alívio. Apesar do forte cheiro que ainda se percebe nos elevadores e corredores, salvaram-se todos. Eu salvei meu celular, a carteira e o pano de prato. E a mim também.
sábado, 21 de abril de 2012
Para ele
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O dia em que você conhece o amor
da sua vida
Você está saindo de um
aniversário em um bar, já passa de uma da manhã e o ânimo é pequeno. Mas é o
aniversário de uma grande amiga, e você resolve deixar a preguiça de lado e
chamar um táxi, na esquina da Prudente com a Farme.
Aí você se lembra que a festa é à
fantasia, então chegando lá, pede emprestado um adereço. Coloca um arco de
coelha e com um lápis de olho traça uns bigodinhos na bochecha. Está pronta.
Desce as escadas cuidadosamente com seu scarpin pink, short jeans e camiseta.
Durante a festa, um turista e um jóquei se fazem presentes. O turista conta que
a roupa é de um figurino de um espetáculo do seu grupo. Ele é músico. Você acha
graça. Acontece então uma conversa tímida sobre qualquer assunto às 4h da
manhã, na tentativa de uma aproximação maior. Ele, gentil, cede a última
garrafa de Stella para a sua irmã, que com um grande incentivo e tomando a tal
Stellinha, tenta aproximar vocês dois. Ele te olha diferente, mas nada
acontece. Ele não se conforma por estar de carona e não poder te levar embora.
Você, cansada, volta para casa com a sua irmã, que no caminho faz um grande
discurso, irritada com a sua falta de abertura para um cara que parecia tão
bacana.
Chegando em casa, às cinco da
manhã, você vai dar uma olhada no seu e-mail e descobre que o tal cara bacana
te procurou no Orkut. Bendito Orkut. E assim começa um contato entre letras e
risos e uma vontade de se ver, como tinha de ser. Uns dias depois você fica sem
internet e pede para a sua grande amiga enviar um e-mail para ele com o seu
telefone. Pronto. Não havia mais dúvida. Ele tinha te ganhado e você não fica
nem um pouco sem graça por entregar os pontos. E numa quarta-feira, saindo do
trabalho, você recebe uma mensagem. Era ele te convidando para sair. Combinado.
Saindo da terapia, você corre para comprar uma roupinha nova (claro que ele só
vai descobrir isso agora). Às nove ele te pega e sugere um Japa em Santa. Duas
palavrinhas que no seu ouvido soam quase como um pedido de casamento. Sim, você
aceita. Mas o tal japa em Santa já não é mais o mesmo. Tem televisão ligada,
barata na parede e atendimento ruim. Então você sugere um japa em Ipanema, onde
vocês conversam sobre a vida, trabalho e afins, compartilhando a primeira
refeição juntos. No carro, o tão esperado beijo. Com gosto de Halls de
melancia. E desde então, vocês viajam, curtem os carnavais e se amam de uma
forma única, somando amigos, risos e projetos. Saindo cada vez melhor das
curvas do caminho. Tendo a certeza de que querem envelhecer juntos, e continuar
a sorrir a cada acordar, quando os olhares se encontram. Porque naquela
madrugada do dia 25 de novembro de 2007, você tinha que ter pego aquele táxi,
naquela esquina, e mesmo cansada, se fantasiar de coelha para conhecer o amor
da sua vida.
sexta-feira, 30 de março de 2012
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